17 de fevereiro de 2009

Virtualização do Ubuntu no Leopard

Um tema bastante em voga na informática é Virtualização. No escopo deste texto, virtualização é o ato de criar um ou vários computadores (máquinas) virtuais, dentro de um computador real, o que possibilita a manipulação de cada máquina virtual como se fosse um computador de verdade, permitindo que as mais diversas tarefas sejam realizadas, como instalação de sistemas operacionais e programas. Dessa forma pode-se acessar um sistema operacional de dentro de outro, o que abre um leque de possibilidades para o usuário.

Antes da virtualização se disseminar, a única forma de ter mais de um sistema operacional no mesmo computador era através do particionamento de disco. Nesta técnica, particiona-se o HD e instala-se um sistema operacional em cada partição. Então, no boot do sistema, o usuário escolhe, através de um software gerenciador de boot, qual sistema operacional ele quer executar. A desvantagem disso é que o usuário precisa reiniciar o computador sempre que quiser usar outro sistema operacional, sem contar que normalmente há problemas com sub ou super dimensionamento do sistema (se pouco espaço for alocado, falta espaço em determinado momento, já se muito espaço for alocado, perde-se espaço no HD). Outra desvantagem diz respeito aos perigos que se corre ao particionar o disco. Por se tratar de uma atividade de alto risco para os dados gravados no HD, o menor descuido pode acarretar na perda de todos os dados armazenados no disco.

A virtualização elimina, ou pelo menos ameniza em grande parte, os problemas de instalação de sistemas em partições separadas do disco. Por isso a virtualização é muito útil para testar sistemas operacionais e até mesmo programas, de forma que novos programas podem ser instalados e testados em sistemas operacionais virtualizados, sem comprometer o sistema do usuário. Além disso, como uma máquina virtual simula um computador real, pode-se simular um ambiente de rede dentro de um computador só. Como nem tudo são flores, pesa muito contra a virtualização, o desempenho obtido no sistema operacional virtualizado. Isto torna a prática desaconselhada para uso de aplicações pesadas, como jogos.

Nas linhas a seguir será mostrado como utilizar o VirtualBox, um software gratuito de virtualização da Sun, dentro do Leopard, para virtualizar o Ubuntu. O tutorial está dividido em 3 seções bem definidas. Na primeira é mostrado como instalar o VirtualBox. Em seguida, mostra-se como criar uma nova máquina virtual dentro do programa e por último, é apresentado como instalar o Ubuntu dentro da máquina virtual criada. Mãos à obra!



Nota: As versões dos aplicativos usados neste texto são: OS X 10.5.6 Leopard; Ubuntu 8.10 Intrepid Ibex; e VirtualBox 2.1.2.

VirtualBox
  1. Baixe o arquivo de instalação, que está disponível apenas para a plataforma Intel no Mac, execute-o e siga as instruções na tela para instalá-lo. Sem mistério.
  2. Execute o VirtualBox, que deverá estar no diretório de aplicativos.
  3. Preencha o cadastro para a mensagem de registro não ser mostrada no futuro. Como se trata de um software livre (para uso doméstico), não há problema em registrar – lembrando que é necessário estar conectado à Internet para que o cadastro possa ser feito.

Com o VirtualBox instalado, precisamos criar uma máquina virtual dentro dele para que o Ubuntu seja instalado dentro dela.

Figura 1. Tela principal do VirtualBox com uma máquina virtual cadastrada.


Máquina Virtual
  1. Na janela principal do VirtualBox, clique no botão Novo.
  2. Apresentação. Na tela de apresentação que se abrir, clique no botão Próximo.
  3. Nome da Máquina Virtual e Tipo do Sistema Operacional. Coloque Intrepid Ibex como nome da máquina virtual. Em Sistema Operacional, selecione a opção Linux e em versão, selecione Ubuntu (64 bit). Clique no botão Próximo.
  4. Selecione a quantidade de memória principal (RAM) a ser alocada para a máquina virtual. Eu aconselho que o padrão sugerido pelo instalador seja mantido (mesmo porque isto pode ser alterado posteriormente). Clique em Próximo.
  5. Disco Rígido Virtual. O disco rígido virtual é um arquivo que será usado pela máquina virtual como disco rígido. Esta subetapa criará este arquivo. Na janela de seleção do arquivo, clique no botão Novo, para criar um novo disco rígido virtual.
    1. Apresentação. Clique em Próximo.
    2. Tipo de Armazenamento de Disco Rígido Virtual. Há dois tipos: o primeiro, Armazenamento Expandido Dinamicamente, solicita um tamanho máximo para o disco rígido virtual e aloca espaço no disco real, sob demanda, até o limite especificado. O segundo, Armazenamento de Tamanho Fixo, aloca de antemão o espaço especificado pelo usuário no disco real. Sugiro que a opção Amazenamento expandido dinamicamente seja escolhida. Avance.
    3. Localização do Disco Virtual e Tamanho. Selecione um nome para o arquivo do disco virtual e defina o tamanho máximo para ele. Sugiro que o nome e a localização do arquivo sejam deixadas de acordo com a sugestão do programa de instalação. Já o tamanho, depende do uso que será dado à máquina virtual (no meu caso, usei 10GB). Ao fazer sua escolha, clique em Próximo.
    4. Sumário. Verifique se as configurações estão a contento e, em caso positivo, clique em Terminar.
  6. Disco Rígido Virtual criado, garanta que ele esteja selecionado no componente de seleção próprio e clique em Próximo.
  7. Sumário. Verifique as configurações e clique no botão Terminar.

Neste ponto deve-se ter uma máquina virtual pronta para uso, mas sem quaisquer dados, como um HD vazio. É hora de instalar o Ubuntu nela.

Ubuntu Pré Instalação
  1. Insira o CD de instalação do Ubuntu no drive e aguarde o reconhecimento do mesmo no sistema.
  2. Na janela principal do VirtualBox, selecione, na coluna da esquerda, a máquina virtual recém criada para o Ubuntu e clique no botão Iniciar.
  3. Leia a mensagem sobre a auto captura do teclado pela máquina virtual. Basicamente ela diz que, ao selecionar a janela da máquina virtual, tudo o que for digitado no teclado, incluindo atalhos de sistema, será capturado pela própria máquina virtual. Para retornar ao OS X, basta apertar a tecla command da esquerda (configurável). Marque a opção Não mostrar esta mensagem novamente e dê OK.
  4. Um assistente para instalação do sistema operacional será iniciado, sendo a primeira tela, a apresentação do mesmo. Clique em Próximo.
  5. Dispositivo de Instalação. Não é necessário alterar os dados, que dizem respeito à mídia de instalação (CD) e qual o drive onde a mídia se encontra. Clique em Próximo.
  6. Sumário. Verifique os dados de configuração e clique em Terminar.

Ubuntu Instalação
  1. Neste ponto, o CD deverá ser executado, levando o usuário à mesma tela mostrada ao se inicializar o computador com ele. Clique sobre a janela da máquina virtual (se ainda não o tiver feito) e use as setas direção do teclado para escolher a linguagem do sistema. Tecle enter para confirmar a seleção.
  2. No menu de boot do Ubuntu, selecione a opção Instalar o Ubuntu e aguarde a inicialização do sistema.
  3. Apresentação. A tela de apresentação já deve ter a linguagem devidamente configurada. Clique em Avançar.
  4. Fuso Horário. Selecione a cidade disponível com o mesmo fuso da sua e avance.
  5. Layout de Teclado. Selecione o país como USA e o mapa como USA - Macintosh. Avance.
  6. Particionamento de disco [virtual]. Selecione a opção Manual e avance.
    1. Garanta que a opção /dev/sda esteja selecionada e clique no botão Nova Tabela de Partição. Na janela que se abrir, clique em Continuar.
    2. Será mostrada uma nova opção, Espaço Livre, abaixo da opção /dev/sda. Esta opção representa o espaço que o usuário tem no disco virtual para instalar o sistema. A partir dela, crie duas partições, uma para o Linux e outra para servir como área de troca. Como outrora, estes tamanhos dependerão do uso que será dado ao sistema. No meu caso, usei 768MB para swap e o restante para o Linux, com o sistema de arquivos EXT3 e com ponto de montagem igual a /. Terminando, avance.
  7. Quem é você? Preencha seus dados pessoais e sobre o sistema, avançando ao final (acentos podem ser obtidos com option esquerdo + E, I, N ou C).
  8. Sumário. Verifique as configurações que serão feitas e clique em Instalar. No meu Mac, a istalação durou cerca de 40 minutos, com alguns pacotes, como os de linguagem, sendo baixados da Internet sob demanda, numa conexão de 500Kbps – dá-lhe Ubuntu!
  9. Ao final da instalação, siga as instruções, primeiro clicando no botão para reiniciar o computador e depois, retirando o CD do drive (para isso, clique no ícone do CD, no rodapé da janela da máquina virtual e selecione a opção Desmontar CD/DVD-ROM) e pressionando enter, para concluir a reinicialização do sistema.

Figura 2. Leopard rodando o VirtualBox, este executando o Ubuntu.

Seguindo os passos supra citados, o leitor deverá ter o seu sistema reiniciado e, após a nova carga do mesmo, o Ubuntu já estará operacional via VirtualBox. Particularmente eu achei esta opção muito melhor do que a utilização de uma partição separada para o Ubuntu, uma vez que o TrackPad e a Internet já estavam configurados por padrão no Linux (dois dedos fazem a rolagem e clique com dois dedos no TrackPad emulam o botão direito). Além disso, essa técnica facilita muito a minha vida, pois os dois grandes motivos para eu usar Linux no Mac são: 1. Programar e 2. Usar alguns programas como GNUCash, GIMP e Inkscape. Com a virtualização, não preciso reiniciar o computador a todo momento.

Sobre o desempenho, por não usar softwares muito pesados nem no Linux e nem no OS X enquanto a máquina virtual está em execução, posso afirmar que está muito bom. Obviamente acontecem alguns momentos de lentidão e eu percebo que o sistema não tem o mesma velocidade quando executado fora da máquina virtual, mas o custo x benefício favorece o uso de virtualização. Vale a pena experimentar!




Leia Também

5 comentários:

  1. Grande zezim!

    versão 2.0.4 do Virtual Box já está dísponível.

    Win x86 - http://download.virtualbox.org/virtualbox/2.1.4/VirtualBox-2.1.4-42893-Win_x86.msi
    Win x64 - http://download.virtualbox.org/virtualbox/2.1.4/VirtualBox-2.1.4-42893-Win_amd64.msi
    Mac Intel - http://download.virtualbox.org/virtualbox/2.1.4/VirtualBox-2.1.4-42893-OSX.dmg
    Linux - http://www.virtualbox.org/wiki/Linux_Downloads

    Todos variando tamanho entre 35 e 40MB.

    Excelente post!

    Abraço!

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  2. Salve, Fabrício!
    Obrigado!
    Versão quentinha! Saiu 16/09! Só corrigindo: a versão é a 2.1.4 e o nome é VirtualBox (sou sistemático com questão de nomenclaturas).
    []!

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  3. Obrigado pela correção, foi gafe! O nome realmente é VirtualBox e a versão é 2.1.4.
    Sorry! My bad!

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  4. Claudinei Costantin12 de outubro de 2009 22:05

    Pelo VirtualBox, é possível realizar a instalação a partir de uma imagem do CD de instalação do Ubuntu baixada (arquivo .iso).
    A instalação é bem mais rápida.

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  5. Boa dica, Claudinei!
    Quando for reinstalar o meu, vou tentar!
    []!

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